sábado, 12 de setembro de 2015

Atletismo para amputados:
BRASILEIRA COM PULMÃO TRANSPLANTADO DESAFIA CÂNCER E LEVA OURO E PRATA EM JOGOS MUNDIAIS

Vivendo com um pulmão transplantado, a professora de pilates Liège Gautério conquistou medalhas de ouro nos 100 metros, e prata nos 200 metros, na vigésima edição dos Jogos Mundiais para Transplantados, realizados no final de agosto, na cidade de Mar del Plata, na Argentina.

Para conquistar o ouro nos 100 metros rasos, Liège levou o tempo de 14 minutos e 3 segundos, no entanto, não conseguiu a mesma façanha nos 200 metros, chegando em segundo lugar, com 34 minutos e 1 segundo, ficando atrás apenas da atleta Petra Vovesna, da atleta da República Tcheca, que completou a prova em 32 minutos e 4 segundos.

A atleta disse ter ficado muito satisfeita e honrada por ter sido a primeira mulher brasileira a participar dos jogos, e de ter conquistado a primeira medalha de ouro para o Brasil, numa competição onde participaram 1.100 atletas de 45 países.
O histórico de saúde de Liège é visto como um dos seus maiores desafios. Hoje, com 42 anos de idade, descobriu em 2003, que tinha fibrose pulmonar. Nos quatro anos seguintes, passou por três cirurgias nos dois pulmões. Mesmo assim, conseguiu se manter ativa, fazendo suas atividades profissionais e praticando esportes.
A partir de 2009, passou a sentir cansaço nos treinos, e no ano seguinte, não tinha mais condições de correr, chegando ao ponto de sentir cansaço até para escovar os dentes, fato ocorrido em 2011.

Em setembro daquele ano, fez transplante unilateral, e três meses depois da cirurgia, voltou para o trabalho como professora de pilates, mesmo sendo formada em biologia e fonoaudiologia.
Liège escreveu um texto para o Unidos pela Vida – Instituto de Divulgação da Fibrose Cística, e disponibilizou-o para que todos tivessem acesso a mais uma história de vida e conquista.

Veja o que a atleta afirmou: “Quanto aos treinos, recomecei do zero. Respeitei bastante o ritmo do meu corpo, e por ser formada em educação física, montei um treino bem coerente para meu condicionamento, no momento. Na medida em que ele ia respondendo ao treino, intensificava um pouco mais, até que hoje treino normalmente e realizo tudo o que fazia, antes da manifestação da doença”.

E Liège não para por aí: “Não é possível um país imenso contar com apenas quatro atletas nesses Jogos, dois no tênis, que conseguiram medalha de prata e bronze, e dois no atletismo. Somos um país repleto de praticantes de atividade física. É preciso haver um projeto que contemple e incentive o esporte para transplantados. Conseguimos, a muito custo, nosso uniforme e nada mais. Espero poder colaborar para mudar esse cenário e continuar divulgando o esporte entre pessoas transplantadas.”

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