BRASILEIRA COM PULMÃO TRANSPLANTADO DESAFIA CÂNCER E LEVA OURO E PRATA EM JOGOS MUNDIAIS
Vivendo com um pulmão transplantado, a professora de pilates
Liège Gautério conquistou medalhas de ouro nos 100 metros, e prata nos 200 metros,
na vigésima edição dos Jogos Mundiais para Transplantados, realizados no final
de agosto, na cidade de Mar del Plata, na Argentina.
Para conquistar o ouro nos 100 metros rasos, Liège levou o
tempo de 14 minutos e 3 segundos, no entanto, não conseguiu a mesma façanha nos
200 metros, chegando em segundo lugar, com 34 minutos e 1 segundo, ficando
atrás apenas da atleta Petra Vovesna, da atleta da República Tcheca, que
completou a prova em 32 minutos e 4 segundos.
A atleta disse ter ficado muito satisfeita e honrada por ter
sido a primeira mulher brasileira a participar dos jogos, e de ter conquistado
a primeira medalha de ouro para o Brasil, numa competição onde participaram
1.100 atletas de 45 países.
O histórico de saúde de Liège é visto como um dos seus
maiores desafios. Hoje, com 42 anos de idade, descobriu em 2003, que tinha
fibrose pulmonar. Nos quatro anos seguintes, passou por três cirurgias nos dois
pulmões. Mesmo assim, conseguiu se manter ativa, fazendo suas atividades
profissionais e praticando esportes.A partir de 2009, passou a sentir cansaço nos treinos, e no ano seguinte, não tinha mais condições de correr, chegando ao ponto de sentir cansaço até para escovar os dentes, fato ocorrido em 2011.
Em setembro daquele ano, fez transplante unilateral, e três meses
depois da cirurgia, voltou para o trabalho como professora de pilates, mesmo
sendo formada em biologia e fonoaudiologia.
Liège escreveu um texto para o Unidos pela Vida – Instituto
de Divulgação da Fibrose Cística, e disponibilizou-o para que todos tivessem
acesso a mais uma história de vida e conquista.
Veja o que a atleta afirmou: “Quanto aos treinos, recomecei do
zero. Respeitei bastante o ritmo do meu corpo, e por ser formada em educação
física, montei um treino bem coerente para meu condicionamento, no momento. Na
medida em que ele ia respondendo ao treino, intensificava um pouco mais, até
que hoje treino normalmente e realizo tudo o que fazia, antes da manifestação
da doença”.
E Liège não para por aí: “Não é possível um país imenso
contar com apenas quatro atletas nesses Jogos, dois no tênis, que conseguiram
medalha de prata e bronze, e dois no atletismo. Somos um país repleto de
praticantes de atividade física. É preciso haver um projeto que contemple e
incentive o esporte para transplantados. Conseguimos, a muito custo, nosso
uniforme e nada mais. Espero poder colaborar para mudar esse cenário e
continuar divulgando o esporte entre pessoas transplantadas.”

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